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Primeiro de Setembro

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Um raio de sol iluminava meu rosto  às 06 da manhã em pleno domingo. Não foi o brilho do sol que me fez despertar naquele horário: foram as palavras matinais de meu bebê. Ele me pedia a mamadeira ao seu modo balbuciante de se expressar. Na movimentação das horas de domingo, fui dançando conforme a música: preparar mamadeira; trocar fraldas; coar café; tirar pijamas... Mais tarde, a lembrança daquele raio de sol que entrava pela fresta da janela me instigou. Até a semana anterior, não havia aquela luz estreita avançando pelas fendas às 06 da manhã. Fiquei a divagar sobre isso. Sobre a alteração da posição do sol e da Terra nas últimas semanas do inverno. Era 1º de setembro. Domingo. Desde criança tenho uma sensação de expectativa para o mês. Recordações de família. Muitos momentos ao embalo de “Sol de Primavera”, de Beto Guedes, podem ter sedimentado em meu subconsciente uma espera por essa época do ano. Inicia-se o último trimestre do ano. Outra...

Projeto #1livropormês

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Era uma quinta-feira do mês de abril. Já havia lavado e fervido as mamadeiras. O bebê dormia. Tudo estava organizado às 21:00. “E agora, o que fazer? ”. Meio surpresa, constatei que esse tempinho era meu: um par de horas diárias. Bem minhas. Depois de um longo dia de trabalho e correria. Os últimos meses haviam sido tão intensos que duvidei da leveza daquele certo ócio... Então, como melhor usufruir desta preciosidade até o sono chegar?   Assistir TV; ouvir músicas com fone de ouvido; navegar pelas redes sociais; cozinhar o almoço da semana? Alternativas que fossem silenciosas e prazerosas. Gastei um par de dias refletindo e avaliando. Com aquelas dezenas de minutos poderia fazer muitas coisinhas... Então, lembrei daquele projeto. Aquele antigo.... Que conservava desde a época do vestibular... Vira e mexe tentava colocar em prática. Outras vezes, pensava que deixaria para quando me aposentasse: a leitura de livros de contos, romances, poesias, biografias como hábito ...

Nada sei a não ser, amar

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Ensaio escrever sobre maternidade faz tempo. Não por falta de inspiração, essa escrita ficou suspensa. Por excesso de zelo mesmo. Uma espera pelas palavras adequadas, pelo tom ideal. Há que se ter cuidado ao escrever sobre algo tão intenso. Os sentimentos inicialmente se exaltam.   Aguardei pelo momento em que as emoções pudessem se sedimentar. E após tal acomodação, lançar um olhar demorado sobre o começo de meu "maternar".  Passados 12 meses, será  que as palavras tornaram-se mais amistosas? Talvez... A primeira lembrança daquele dia é o céu azul. Então, recordo-me do brilho do sol. Daquele Inverno. Daquela quarta-feira. Uma brisa fresquinha. Sol quentinho. Foi o dia em que ele chegou. Longa espera. Um hiato. E ele veio: tão chorão, guloso e esperto. Agarrou meu rosto com suas minúsculas mãos sem deixar o choro escapar um segundo. Anestesiada, um lampejo me trouxe à mente: É meu filho! Tanto já se falou e escreveu sobre esse instante e cada pessoa tem su...

Sobre Tornar-se Minimalista

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Apesar de surgir de movimentos artísticos, a expressão “Minimalismo” tem sido muito utilizada atualmente para designar determinado padrão de comportamento. Em minhas observações, minimalismo tem a ver com a valorização daquilo que é mais importante para cada um. Aquilo que nos traz alegria ( spark joy , como ensina Marie Kondo). Não é contrário ao consumismo, mas aprecia a conscientização do consumo. A busca por significado mais profundo para o que se consome. Seria um movimento; um processo. Envolve tomadas de decisão subjetivas: uma completa mudança de hábitos. Aderir a esse processo significa: envolver-se, autoconhecer-se, conscientizar-se. É profundo. Cada um daqueles que busca o minimalismo consegue contar sua própria experiência. Atrevo-me a comentar sobre minha própria-complexa-busca. Uma luta! Afinal, nossa cultura anda tão impregnada de excessos. Buscar aquilo que nos é essencial pode parecer um retrocesso à primeira vista. É preciso insistir e persisti...

À Luz de Saint-Malo

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O livro “Toda Luz que não Podemos Ver”, de Anthony Doerr, narra a história de Marie-Laure e Werner. Ela é uma garota francesa que vivia em Paris com o pai até eclodir a Segunda Guerra Mundial. Werner é um garoto órfão alemão que acaba tendo que trabalhar para o exército nazista.    De maneira surpreendente, o destino de Werner e Marie-Laure se cruzam em Saint-Malo.. Após ler o livro, desejei tanto conhecer este lugar na Bretanha. Por uma série de fatores, acabamos indo mesmo. Já que estávamos bem perto, por que não ir? Nossa viagem foi pura expectativa: tomamos o ônibus em Pontorson até Dol de Bretagne. Lá, pegamos um trem para Saint-Malo. Tudo tranquilo. Saint-Malo nos surpreendeu por sua beleza e sua história. Não fosse pelo livro, não teria conhecido essa belezura da Bretanha. A cidadela fora destruída durante a Segunda-Guerra Mundial. Levou cerca de 30 anos para ser reconstruída no pós-Guerra. A cidade antiga é toda murada, com bastiões, torres, prédi...

Sobre História, Religiosidade, Lua, Marés e Omeletes

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Um lugar surpreendente: uma ilhota no meio da foz de um rio que se encontra com o Canal da Mancha mais adiante.  Durante a Idade Média, construíram ali uma Abadia em homenagem ao Arcanjo São Miguel. Depois, tornou-se um Mosteiro e uma vilazinha para os peregrinos, circundada por muros altos. Ao tempo da Revolução Francesa, fora transformado em prisão. Hoje, é o principal destino turístico da Normandia. Meio no improviso, o destino nos guiou para este lugar legendário. Os acontecimentos fluíram de maneira  tão perfeita, como se tivéssemos planejado tudo por meses. Partimos da estação de Montparnasse, em  Paris, de trem, para Rennes. Lá, um ônibus já aguardava os viajantes com destino a Pontorson. E de Pontorson fomos de Navette até a entrada do Monte São Michel. Compramos as passagens de trem no Brasil, antes de irmos. Era setembro, final de verão. O céu, azul. A maré, baixa. Tudo enfatizava o encanto do Monte , isolado no meio daquele mundo de arei...